quinta-feira, 2 de agosto de 2012


Parte IV

"E ele estava tão lindo..."
Toc toc toc.
"E seus olhares se cruzaram pela primeira vez depois de tanto tempo..."
Toc toc toc.
"E..."
TOC TOC TOC.

- Mari, abre! - Batidas, malditas batidas. Era sábado! Ela queria dormir um pouco mais... E continuar seu sonho também.
- Mariane, como sua amiga ordeno que abra essa porta agora! - Mari ainda estava sonolenta, mas ja reconheceu quem era. Devagar, ela foi até a porta e destrancou.
- Bom dia querida amiga!
- É sábado Clarice, será que posso dormir até mais tarde pelo menos hoje?
- Você acorda com um humor radiante sabia?
- Eu acordaria com um humor radiante se fosse 10h da manhã nesse momento, e são... 7:30???? Você quer morrer né Cla?
- Isso, 7:30! Arrume-se, tome café e nós vamos as compras.
- O que?
- É, compras! O baile é semana que vem e você precisa de um vestido novo. - Mariane se jogou na cama e se enrolou nas cobertas novamente.
- Não vou no baile.
- Vai sim!
- Não vou!
- Vai sim, porque não quero ir sozinha e é a formatura da sua amiga.
- Clarice, não vou ao baile.
- Se eu fosse tua colega eu diria "ok". Mas como eu sou tua amiga eu vou abrir essas cortinas, puxar teus cobertores e te espero lá na cozinha com um café bem quentinho.
- Você não se atreveria... - Em minutos, Clarice abriu as cortinas e puxou o cobertor da amiga que ficou brigando por ele.
- Grrrr! Você é uma peste Clarice Alves!
- E você continua radiante com seu humor. Te espero na cozinha. - A contra gosto, a garota levantou da cama e pela primeira vez parou para se olhar na frente do espelho. Seu cabelo precisava de um corte, sua pele estava sem brilho, seu peso havia diminuído muito. Ela estava horrível.
Depois do café, as duas amigas seguiram para o shopping. Engraçado, era que, por mais que ela tivesse acordado de péssimo humor, ela estava se sentindo bem agora.
- Cla, se eu vou nesse baile... Não posso ir assim...
- Assim como? De calça jeans?
- Ai Clarice, as vezes você é lerda demais. Assim, com esse cabelo, com essas unhas, com essa pele!
- E você acha que te trouxe aqui só para comprar vestido? Parece até que você não me conhece. - Mari realmente tinha esquecido o quanto a amiga era detalhista.
- Ok, começamos por onde?
- Cabelo, com certeza. Ele esta terrível!
- Não precisa ser tão sincera. - E as duas riram. Fazia muito tempo que Mari não fazia isso. Comprar, sair para se arrumar, se cuidar. O tempo passou e ela esqueceu de cuidar de si mesma. Só estava pensando nos erros, nas mágoas, na dor, que esqueceu de procurar melhorar, de procurar a felicidade de novo nas pequenas coisas. Isso fez um sorriso brotar em seu rosto.
Duas horas se passaram desde que as duas amigas estavam ali. Cabelo, unha, depilação e literalmente um guarda roupa novo.
- Putz, preciso ir no banheiro!
- Ai Clarice, sua maria mijona! Não faz meia hora que você foi, mas vai lá. Enquanto isso vou comprar um milk shake.
- Ok, te encontro ali depois. - Mari estava feliz. Depois de tanto tempo, ela conseguiu sorrir com sinceridade. Tinha adorado passar a manhã mudando o guarda roupa, se cuidando. Desde todos os incidentes, ela tinha se largado, se esquecido. Mas viu que as coisas não deveriam ser assim. Algo ainda a incomodava, mas acreditava que com o tempo as coisas se resolveriam.
- Oi.. Por favor, eu quero um milk shake médio de morango. - Era seu sabor favorito. E foi quando uma sensação esquisita tomou seu coração.
- Pelo jeito morango continua sendo seu favorito... - Essa voz... Ela conhecia essa voz. E virando-se, ela viu a unica pessoa que não esperava encontrar mais na cidade.
- Alan???
- sou inesquecível, eu sei. - O garoto falou tirando onda com Mari.
- Meu Deus, quanto tempo moleque! Por onde você anda?
- Então, depois que sai da cidade perdi contato com quase todo mundo, inclusive com você. Morar fora do país não é muito fácil.
- Eu imagino... Mas email, carta, telefone? Você foi embora há 3 anos e eu te mandei vários emails. No início, você respondeu, mas depois sumiu... - Mari ficou triste, lembrando de como as coisas tinham acontecido. Alan era seu melhor amigo desde a infância. Terminaram o ensino médio e o garoto foi morar fora do país com seus pais. Prometeram continuar se falando, nunca acabar com a amizade que tinham desde pequenos, mas ele parou de respondê-la um mês depois que foi embora.
- Poisé, muitas coisas me impediram de entrar em contato Mari. Terei tempo para te contar tudo.
- Você vai voltar a morar aqui na cidade?
- Não. Vou morar na cidade vizinha, já que meu trabalho é lá. Mas meus pais voltaram para cá, vou estar sempre por aqui agora.
- Poxa, que legal! - Antes mesmo de Mari iniciar outra frase, Clarice apareceu.
- Menino! - A alegria de Clarice era notável. Por ser um pouco mais velha, Clarice que acompanhou tudo o que aconteceu na vida dos dois. As famílias eram muito amigas, e ela era como se fosse uma grande conselheira dos amigos.
- Clarice, que saudade de você!
- Saudade nada... Você sumiu! - Clarice fez cara de desdém e Mari olhou assustada, se esquecendo o quanto a amiga era sincera.
- Não quer dizer que não estava com saudade...
- Se tivesse com saudade você nos procuraria.
- Gente, sem brigas. - Mari precisou interromper ou a discussão ia durar uns minutos e os três se olharam e deram risadas.
- Tudo bem. Ai, temos tanta coisa para conversar! Mas agora não da tempo, tenho que ir pra casa cuidar da Noah.
- Noah? - Alan não lembrava de ninguém com esse nome.
- Annnn, longa história Alan. Mas você vai adorá-la! Ela é linda! - Clarice sempre sorria quando lembrava da filha.
- Er, tudo bem então. Nos encontramos amanhã a noite?
- Sim, nosso endereço é o mesmo. Passa para me pegar que a Mari vai estar lá em casa.
- Tudo bem então. - Os três amigos se despediram com um longo abraço. Indo para casa, Mari e Clarice foram conversando sobre a infância dos três e as muitas e muitas coisas que aprontaram. Mari desceu do carro e foi para o seu quarto. Colocou as sacolas no chão e olhou ao redor. E depois de tanto tempo, ela mesma abriu as cortinas, sentindo a luz do sol tocar sua face. E aquela sensação de esperança que ela tanto queria, voltou a reinar em seu coração. Esperança de perdão, esperança de sorrir, esperança de amadurecer, a simples esperança de viver incondicionalmente.

Entregue-se hoje, viva! Cative as pessoas ao seu redor, para que elas voltem e façam parte do seu jardim. Não deixe de lado quem sempre esteve te apoiando. Não troque pessoas eternas por compromissos rápidos e duvidosos. Não seja duro de coração. Não planeje os passos. Seja mais leve, deixe o vento levar, deixa que os caminhos se cruzam. Deus escreve as coisas e deixa-as acontecer no momento correto. Apenas tenha fé. Fé!


Hey leitores! Capítulo longo, eu sei, eu sei! Mas precisava que fosse assim. Espero que estejam gostando, de coração.

Abraços,




7 comentários:

Anônimo disse...

Está bem legal!

Teco

Mulher na Polícia disse...

Hummm, vai rolar romance!!!

hehehe

Por que que os meninos nunca respondem nossos e-mails, mensagens?
: )

Tá muito legal, Jú!
Continua!

Emilie S. disse...

é continuação daquela história que estava contando? da garota que estava deprimida,que queria se redimir com o namorado (ou não sei)? gostei.
Emilie Escreve

Emilie S. disse...

Corrigi. Desculpa!!! Tenho semi taquicardíacos quando erro! >_>'
E,sorry por floodar a sua área de comentários.Geralmente,eu mando tweets avisando dessas coisas (mas,não vi o seu em nenhum lugar do blog). ^^

Laís Sandrigo disse...

Adorei esse capítulo! Primeiramente, sinto até uma "invejinha" da Mari por ter uma amiga tão preocupada e atenta. Eu não me lembro de uma mísera vez que alguma amiga me ajudou/animou quando eu tava no fundo do poço, mas, pelo menos tenho meus amigos homens. Ah, eles sim! Só que sinto falta de ter uma amiga igual a Clarice. E, ual, fiquei super empolgada com o aparecimento do Alan... Mal posso esperar por mais!

Beijos, Júlia. Bom fim de semana pra você, e posta maaaaaais, tá? *-*

Gisele Braga disse...

Oi Ju, boa noite!
Gostei do texto! Nada como um amigo pra nos amparar num momento triste!
Amizade quando verdadeira nos preenche e ameniza nossas dores!
E por isso devemos ter cuidado, atenção e carinho com pessoas assim em nossa vida!

Tenha um Domingo
Abençoado!!

Beijos meus!

Saulo Nunes disse...

Bem bonito

Beijo na alma!